sábado, 5 de fevereiro de 2011

Blogagem Coletiva: Possibilidades para inclusão de portadores de necessidades especiais!


Quem me deu a dica de blogagem coletiva foi o Alexandre, ao qual cheguei ao blog Uma Pandora e uma caixa  e cá estou eu.
Este assunto me interessa muito, sobre pessoas especiais, que antigamente eram chamados de excepcionais.
Entendo porque tenho um irmão, Seu nome é António, ao qual chamamos carinhosamente de Toninho, Tuniquinha.

Este meu irmão não sei ao certo sua idade, mas acredito que tem uns 59 anos, é o mais velho de uma família de 7 , 7 filhos da D. Celina e do Sr. Serafim.

Não se sabe ao certo porque ele é assim, imagine uma cidade do interior há quase 60 anos atrás? os médicos eram praticamente clínicos geral e as mães tinham seu filhos com parteira em casa, e conosco não foi diferente, exames? nem eletrocardiograma tinha! então meu irmão nasceu de parteira, aos 8 meses, não chorou ao nascer e não estava bem formado, foi andar aos 12 anos, não fala até hoje, resmunga alguma coisa que nós entendemos,  mas entende tudo que se fala, adora TV e passear de carro!
Faz todas suas necessidades fisiológicas na roupa, quero dizer usa fraldas. Minha mãe na época qdo ele pequeno foi aconselhada, enviá-lo para Florianopolis porque lá já tinha APAE , mas na sua concepção de mãe protetora não quis, primeiro porque ela tinha mais 6 filhos e como poderia deixá-los e segundo não poderia deixar o Toninho na APAE sozinho lá nas mãos de estranhos.
Não sabemos se foi uma boa decisão ou não, mas era o que ela sentiu em seu coração no momento!

Ele é saudável, apesar de estar com uma cifose um pouco acentuada, mas mês passado minha mãe ainda o levou no medico, fez exames e está tudo bem, exceto um refluxo estomacal, que está tratando.
Ele come de tudo , mas batido, tipo papinha, frutas amassadas, enfim igual a um bebê.
Minha mãe com 80 anos que cuida dele, dá banho, comida, faz barba, até hoje ela não confia em deixar ele aos cuidados de alguém.
Mas ele anda, e como anda, passa o tempo todo de uma lado p/ outro, dentro de casa, vai na varanda volta, a TV fica ligada dia inteiro na sala , ele senta assiste um pouco, cansa e vai andar pela casa, hoje tem que cuidar um pouco mais porque como a cifose tá acentuada , ele tá com a coluna muito tortinha e as vezes quase cai.
Desde criança minha mãe ensinou todos nós a dar banho nele, trocar fraldas, dar comida, para numa necessidades a gente cuidar dele, somos 2 mulheres e cinco homens,  então qdo vou visitá-la é normal ajudar, e meus irmãos também ajudam, mas ela confia mais nela!
Tenho bastante tios primos em Sta Catarina, e todo mundo que chega na minha mãe a primeira coisa que pergunta é por ele? é normal a gente chegar lá e já perguntar, então sei que o dia que Deus o levar vai ser um baque muito grande para minha mãe, como também sei que ela vive por ele, e todos vamos estranhar e sentir muito se chegarmos lá e não o encontrarmos mais, afinal ele está sempre ali, presente!
Sei que crianças (afinal ele é sempre uma criança) como ele são muito expostas ao preconceito, nós como irmãos sofremos preconceito no colégio, as pessoas me apontavam como a irmã do louquinho, lembro que eu tinha uns 8 anos de idade e uma menina vivia gozando na escola dissendo que eu tinha um irmão louco! Um dia peguei ela e dei uma surra , quase matei, a mãe da menina foi na minha casa reclamar e minha mãe me chamou perguntando; se era verdade? , afinal eu não era assim de brigar, ao passo que respondi: Bati e bato de novo, é só ela ficar gozando no colégio! 
Lembro que apanhei uma surra da minha mãe, mas  a menina nunca mais chamou meu irmão de louco.
Minha mãe sempre foi uma guerreira e uma mulher muito digna, lutadora, olha ela ai!


Minha mãe dançando com meu tio no aniversário dele.

Talvez se meu irmão tivesse uma educação especial, hoje seria diferente!
ou não, quem sabe os desígnios de Deus?


Meu irmão e meu sobrinho


Eu, minha mãe e meu sobrinho verão passado qdo fui visitá-la.



Além do meu irmão tive um caso mais recente na família, com meu pai, que após fumar anos a fio, ficou com comprometimento na circulação sanguínea, onde não havia retorno do joelho para baixo e aos 67 anos teve amputar uma perna, e no ano 2000 com 73 anos  ele acabou falecendo em função de não ter largado o vicio do cigarro, uma estória triste porque uma pessoa alegre saudável naõ teve força para brigar contra o vicio, é muito difícil falar ainda sobre isso, sofro e choro muito qdo lembro, ontem nem tinha colocado isso no post, mas hoje resolvi porque sinto que muitas pessoas ainda hoje não conseguem se abster de certos vícios e isso é muito deprimente, para todos nós que sofremos junto com os nossos! por isso precisamos ficar atentos e ajudar estas pessoas, indicando um tratamento e quem sabe até acompanhando-o, pq a dependência é muito difícil para ele(a)s, e as sequelas que o vício deixa é muito doido..


Boa noite! Zú


"Ele não sabia que era impossível, foi lá e fez!"

7 comentários:

Pandora disse...

Pocha que História incrivel!!! Não é para todo mundo não, desculpe o que vou dizer não é politicamente correto, mas a surra foi bem dada, sua mãe foi D+ fez o que pode e o que estava no coração dela, se ele tivesse acesso a estrutura que temos hoje talvez fosse diferente, mas como saber, o que sabemos a julgar por suas palavras e pelo o que passa as imagens que vc mostrou é que seu irmão é amado e que vcs fizeram o melhor que podiam!!!

Beijos, cheros e obrigada por participar, obrigada mesmo!!!

Nana disse...

Ai que linda a sua história. O meu irmão quando pequeno foi indicado como sendo especial,minha mãe tb lutou e hoje é uma pessoa normal, que trabalha, dá aula, viaja sozinho para outros paises e estudou muito. Olha, os médicos falavam que ele nunca ia passar da 1 serie... vitória e parabéns a essas mães de Deus.
Bjsss

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

é...sua mãe foi uma super mãe, tudo fez e tudo faz para que seu irmão viva melhor. porque se for depender de ajuda alheia ou do governo...ah, seu irmão estaria bem, talvez não estaria mais vivo.

(eu, se tivesse junto com vc na escola, ia ajudar a dar uns tabefes na menina).

emocionante sua história, simbolo do verdadeiro amor em família.

bjs e bom dia

Zuleide Felisberto disse...

Brigada gente, eu sei que como o meu irmão tem muitos neste Brasil afora, eu mesma conheci varios e muitos tiveram rejeição da propria familia, e isso é uma vergonha, não deveria existir! bjus!

Clau Finotti disse...

Oi Zu!

Que relato emocionante e verdadeiro!

Menina, acho que qualquer ser, por mais calmo que seja, parte prá briga quando os seus queridos são atingidos, né? Eu que o diga, que dessa idade já comprei briga com moleque na rua pelo meu sobrinho...rs...

Sua mãe, apesar das dificuldades, tem um rosto muito alegre, e nenhuma cara de sofrimento, como é de se esperar nesses casos, né?

Com certeza essa missão que ela recebeu de Deus foi e está sendo muito bem executada, porque nada, minha querida, acontece por acaso.

Parabéns à família amorosa e à mãe lutadora que vc tem!

Bjos e ótimo domingo.

Clau

*vim aqui atrás do esmalte mas até esqueci...rs

Lílian Alves disse...

Que linda sua história, o que eu acho mais incrível nesse universo de blogosfera é conhecer a história de cada um. Parabéns a vocês que com certeza aprenderam muito com ele. Beijos...

Zuleide Felisberto disse...

brigada pelos comentarios, é Verdade Clau, a gente pode até xingar nossos irmãos mas como diz uma comunidade no orkut: mexeu com meus irmãos tá fudido! rsrsrs..

Lilian a gente sempre aprende com pessoas assim, hoje mesmo liguei a mãe disse que meu sobrinho andou fazendo uns alongamentos de coluna com ele e ele não tem mais caido, pq ele tava jogando o quadril p/ frente ai ficava sem estabilidade.